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É assim que eu me sinto quando começo a ler sobre a história da computação. Começei a escrever algumas coisas para postar aqui sobre isto, e a genialidade das coisas que eu vi lá atrás me deixou… perplexo. A impressão que eu tenho é que em algum lugar as pessoas perderam alguma coisa, e que depois disso tudo piorou muito. Ou deixou de melhorar.

As coisas mais notáveis foram criadas até 1985. Depois disso, muito se mexeu, muito se copiou e muito aprimoramento (claro) apareceu, mas a grande estrutura foi ali definida, e permanece até hoje. Fiquei pensando: será que ainda tem espaço para novas invenções para Desktops? Os PCs parecem ter chegado num limite meio intransponível, ou talvez a inovação tenha deixado de procurar novas formas.

Computador LISA, da Apple ComputerVeja: em 1983, com o lançamento do Lisa, a Apple tinha basicamente tudo de mais importante que existe hoje no Windows, o “mais importante” sistema que existe hoje no mercado [cabe aqui um pedido de perdão para todo mundo que usa, como eu, Linux - neste contexto ainda não cabe falar de nós...]. Sistema operacional gráfico, programas em janelas, mouse, menus drop-down, drag and drop, copiar e colar, nomes de arquivo extensos… Sem entrar no mérito de cópia ou não cópia dos sistemas da Xerox, era impressionante o que um processadorzinho trash como o do Lisa podia fazer com um software bem feito.

Claro… Quando eu digo que todas as coisas já foram inventadas é apenas uma piada - se eu acreditasse mesmo nisso, não seria sócio de uma empresa que produz software. Mas tá cada vez mais difícil ter A idéia neste contexto. Acho que para os pioneiros havia um grande território 100% inexplorado. Era como papel: aceita qualquer idéia. E muitas floresceram, outras não, outras demoraram 10 anos pra realmente terem efeito. Mas, por ser “papel em branco”, tudo o que se tinha em mente era possível fazer, e tudo era novidade. Esta era, para o Desktop, terminou. Eu acho né.

Quem sabe alguém (de repente um de nós) tem um click e entra com um modelo completamente inovador e simples de se gerenciar as coisas…

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Muito se critica a utilização da Internet, considerada excessiva nos dias atuais. Muito se fala na televisão sobre os males da grande rede, dizendo que, cada vez mais, nossas crianças a estão utilizando para os mais diversos fins, e que o maior mal seria o fato de que isto distancia as pessoas, limita o convívio e prejudica a formação do usuário como ser humano.

Desta postura, vem os mais diversos tipos de manifestação, que atestam o pouco conhecimento que as pessoas tem sobre como tratar um problema. Pais limitam o uso dos filhos, travam toda a máquina, impedem que utilizem o Orkut ou o MSN, como se isso fosse solucionar o problema. Como se este fosse o problema.

É interessante, pois isto aconteceu muitas vezes na história com várias coisas diferentes. Televisão em excesso prejudica, desenho em excesso prejudica… No mundo da computação, podemos citar diversas coisas, como por exemplo os jogos violentos. Wolfenstein 3D, Doom e Duke Nukem 3D foram praticamente banidos dos computadores dos jovens na minha época, pois supostamente transformariam os jovens em assassinos em série, sociopatas perigosos à sociedade. E então, diversos médicos aparecem no Jornal Nacional, atestando e justificando isto das formas mais absurdas. Depois do incidente no cinema em São Paulo, onde um estudante abriu fogo contra a platéia, a questão ficou ainda mais em destaque.

Engraçado, eu joguei muito esses jogos e nunca saí dando tiros em cinema. Posso dizer que até tive vontade em certas ocasiões… mas…

O que as pessoas não percebem é que o problema não está na Internet, no MSN ou no Orkut, nem no Doom ou no Duke Nukem, e sim em cada um. Por isso me soa até engraçado ouvir que a Internet afasta as pessoas e limita o convívio! Imagine, hoje com a Internet eu consigo manter contato com amigos que estão em São Paulo, Curitiba e Itajubá, tudo no mesmo lugar. Sei como anda meu amigo que foi pra Inglaterra, e coloca fotos no Orkut da viagem dele! Recebo e-mails dos meus pais, e combino as coisas por MSN com meus amigos, o que vamos fazer à noite ou pra onde vamos viajar no feriado.

Como a Internet pode limitar o convívio? Da mesma forma que a TV, o videogame ou uma cidade muito grande podem. Todos esses fatores podem estar presentes na vida das pessoas, mas cada um encara eles de uma forma diferente. Veja, eu com a Internet estreito meus laços, mas outros a utilizam para criar uma vida paralela, e se isolar das pessoas. Se não houvesse Internet, essas pessoas iam usar a TV para isto. O problema não mora na ferramenta, na desculpa utilizada para se isolar ou para surtar, mas sim no próprio surtado, no próprio isolado.

O risco que se corre com a má interpretação das coisas é o de se extinguir coisas úteis pelo mal uso que alguns fazem delas. Afinal, se fossemos pensar assim, até a sacolinha de supermercado é perigosa, vai que alguém coloca ela la cabeça e morre asfixiado? Vamos acabar com a sacolinha! Com o videogame, com o orkut… Com os carros, eles podem causar acidentes.

Onde mora o problema?